terça-feira, 11 de outubro de 2011

DESCOBRINDO A RETINOSE


Hoje eu vou contar um pouquinho de como descobri que de fato eu era uma retinoseira, desde criança eu já sentia que tinha alguma coisa errada comigo, mas eu não sabia explicar o que era quase como sensações que eu não sabia explicar em palavras, mas até esse momento ainda não alterava em nada minha vida, quando eu cheguei á quinta série do ensino fundamental a rp começou a dar o ar da graça. E como eu percebi?
Simples eu era um desastre nos esportes que tinham bola envolvida, era um milagre quando eu conseguia pegar a bola, mas na sala de aula eu não sentia dificuldade nenhuma sempre enxerguei a lousa nunca tive problemas com leitura.
E quando eu ia a algum oftalmologista eles diziam que eu não tinha nada, então eu passei a achar que eu era uma tremenda perna de pau nos esportes, e assim eu passei um ano da minha vida fugindo de esportes que envolviam bola como o diabo foge da cruz eu simplesmente falava pra meu time: ”não joguem a bola para mim”.

Daí depois de um ano de sofrimento e chacotas nas quadras rsrsrsrsr (nada dramática), eu mudei de escola (porque tive que mudar de casa), e nessa nova escola adivinhem só simplesmente a professora de educação física não dava aula (era um sonho virando realidade), era uma professora totalmente sedentária e ninguém fazia nada na aula dela, a assim minha vida foi voltando ao normal, com alguns tropeções aqui e ali, mas nada demais.
Eu lembro um dia também que numa festa da escola os alunos fizeram uma sala do terror e La dentro era tudo escuro, e eu fui lá, e simplesmente não conseguia ver quase nada, até que um dos monstros me levou até a porta de saída, e eu pensei: ”como sou atrapalhada!” (mas não era isso era a retinose desabrochando como uma flor, mas uma flor negra), e assim eu fui crescendo sempre levando muito mais tempo para achar nas coisas que eu deixava cair no chão, mas não eram coisas que pareciam ser tão graves pareciam mais coisas de gente estabanada mesmo.
 Raras eram algumas vezes que eu caminhando para ir para escola de manhã tropeçava em alguém agachado, mas eu justificava que era o sono.
Daí o tempo passou e eu passei a ter contato com computadores mais freqüentemente, e decidi que odiava isso, porque simplesmente eu perdia de vista a seta do mouse e não conseguia achar, de novo a retinose dando o ar de sua graça.
Fui para o ensino médio, e apartir daí comecei a odiar o sol também, porque quando eu estava no sol e depois ia entrar no corredor da escola tudo ficava escuro por um tempo, então passei então a passar a maior parte do tempo na sombra, mas no intimo eu pensava: ”tem alguma coisa errada comigo”.
Tipo a sensação era como se eu fosse meio desligada, e outra coisa também, importante, que acontecia desde a minha infância, e que quando eu estava assistindo televisão parecia que se formava uma coisa escura ao redor da TV, isso às vezes era meio assustador, mas como os médicos não diziam nada eu também ficava sem entender nada.
No terceiro ano do ensino médio eu passei a ter dificuldade de enxergar de longe e descobri que tinha miopia, pronto meus problemas acabaram agora eu tenho um óculos, mas os óculos só ajudaram na miopia mesmo srsrsr.
Com o tempo até abandonei o coitado dos óculos.
Quando terminei o ensino médio, minha mãe comprou um computador, e eu fui aprendendo a entender ele e adorar computadores rsrsrsrs. Aprendi pequenos truques para driblar a retinose.
Depois de uns anos resolvi prestar concurso público já estava com 21 anos,
Passei e fui trabalhar numa escola, e lá foi onde passei a perceber mais ainda a retinose, porque primeiro eu trabalhava com crianças e às vezes não via algumas coisas que elas aprontavam na minha cara, depois para melhorar fui trabalhar de noite, daí eu sofrendo por muitas vezes não enxergar nem o caminha direito, resolvi eu mesma descobrir oque eu tinha.
Minha avó era cega então descobri o nome da doença dela e pesquisei na internet e vi que as maiorias dos sintomas eram iguais o meu, e descobri que tinha retinose pigmentar, depois descobri a “retina são Paulo”, que é um grupo de apoio a portadores de doenças degenerativas na visão, liguei lá uma moça super simpática me atendeu e me indicou um oftalmo que finalmente diagnosticou meu problema, daí então começou o drama todo ,primeiro eu chorei, chorei, chorei, depois eu fiquei com raiva, depois fiquei questionando Deus,”mas porque  comigo?” Depois veio aquela coisa de transformar tudo em piada, e por fim cheguei  até o blog rsrsrsr.
Eu percebi que simplesmente não posso parar de viver.
 A cada 4000 pessoas uma tem retinose, (nossa eu devo ter muita sorte mesmo), em minha opinião agente não tem que ficar pensando no que nós achamos que vai acontecer no futuro o futuro ainda esta sendo construído pode ter grandes surpresas, viva seu presente intensamente sem ficar pensando, “ai meu deus amanhã eu posso acordar cega, socorro”.
Pare um pouco, respire, e pense este é um dia maravilhoso para se viver!
As dificuldades te fazem crescer, valorize a vida que deus te deu com muita felicidade e espere sempre pelo melhor.
Medo? Você sempre vai ter medo, todos têm medo de alguma coisa, mas simplesmente não deixe ele te dominar, o deixe guardado no esquecimento.
E lembre-se o futuro a deus pertence não tende adivinhá-lo com sua bola de cristal desanimadora, e se chegar num momento em que você pense “eu não consigo mais”, daí é hora de você entregar para deus todo esse seu fardo, e acredite deus sempre fará o melhor por você mesmo que hoje você não entenda muito as circunstâncias.



10 comentários:

  1. Olá, desculpe invadir seu espaço assim sem avisar. Meu nome é Nayara e cheguei até vc através do Blog Azues. Bom, tanta ousadia minha é para convidar vc pra seguir um blog do meu amigo Fabrício, que eu acho super interessante, a Narroterapia. Sabe como é, né? Quem escreve precisa de outro alguém do outro lado. Além disso, sinceramente gostei do seu comentário e do comentário de outras pessoas. A Narroterapia está se aprimorando, e com os comentários sinceros podemos nos nortear melhor. Divulgar não é tb nenhuma heresia, haja vista que no meio literário isso faz diferença na distribuição de um livro. Muitos autores divulgam seu trabalho até na televisão. Escrever é possível, divulgar é preciso! (rs) Dei uma linda no seu texto, vou continuar passando por aqui...rs





    Narroterapia:

    Uma terapia pra quem gosta de escrever. Assim é a narroterapia. São narrativas de fatos e sentimentos. Palavras sem nome, tímidas, nunca saíram de dentro, sempre morreram na garganta. Palavras com almas de puta que pelo menos enrubescem como as prostitutas de Doistoéviski, certamente um alívio para o pensamento, o mais arisco dos animais.



    Espero que vc aceite meu convite e siga meu blog, será um prazer ver seu rosto ali.

    http://narroterapia.blogspot.com/

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  2. E o pior nessa época de escola e ser taxado de aéreo ou "viajão" como dizem por aqui. hehe! Obrigado pela visita no meu blog! Também estou seguindo o seu! Grande abraço.

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  3. Também sou uma contemplada e foi o meu irmão Airton quem me falou do seu blog. Adorei a sua força. O seu otimismo é contagiane! E sabemos que é preciso muita força e otimismo pra seguirmos em frente, não é?! E vale lembrar que a medicina avança a passos largos, quem sabe num futuro próximo não surja um remédio que amenize e talvez até a cura? Valeu!!

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  4. Menina acontecia a mesma coisa comigo em relação as bolas na escola kkkk, sempre dizia que elas não gostavam de me porque só viam pro meu lado!!
    Estou gostando muito do seu blog e espero ver mais historias do nosso cotidiano!!Valeu...

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  5. Oi colega, tudo bem ?
    Sempre que leio seus pots me identifico com suas histórias, é como se eu estivesse relatando minhas experiências. É bom saber que existe páginas na internet onde podemos nos comunicar e diálogar sobre nosso dia a dia, trocar de experiência e apoio mútuo. Continue atualizando seu blog, virei fã. Abraço mineiros, Welder Rodrigo - welderrodrigo@msn.com

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  6. Faço das suas palavras as minhas. Nossa, como é bom ver que não estamos sozinhas. Todos os retinoseiros passam por isso e muitas outras coisas, mas a gente vai levando né? Esses sintomas todos eu só identifiquei na adolescência. Na infância o que me atrapalhava mesmo era a perda auditiva. Bjos

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  7. Oi Diene, gostei muito de seu blog, acho q deveria acontecer um encontro de retnoseiros, já imaginou? hehe , um abraço.

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  8. comigo é exatamente tudo isso que você falou.
    o negócio é raro, mas eu tenho, meu irmão tem e minha prima também.
    estamos sempre trocando histórias engraçadas, principalmente sobre quando saímos à noite. PURA AVENTURA.
    é uma merda, mas com o tempo você se acostuma, as pessoas ao seu redor se acostumam [e te ajudam em situações críticas] e você começa a fazer piada de tudo.
    sempre fui péssima em esportes tipo vôlei, daí investi na natação.
    é muito engraçado ficar "perdendo" coisas que estão bem na sua cara. nessas situações eu tenho que sair do lugar, voltar, aí o que eu perdi reaparece magicamente.
    também vivo perdendo a seta do mouse na tela, mas o truque é balançar o mouse pra ela chamar atenção ou arrastar tudo pra um canto e achar ela lá.

    mas a pior parte foi quando descobri a doença. minha oftalmo perguntou o que eu fazia na faculdade (Design Gráfico) e disse que eu deveria mudar de profissão e arrumar um emprego público, pra poder ter total suporte quando/se a doença piorasse.

    desculpe doutora, não vou pautar minha vida por causa de uma doença [que já me atrapalha o suficiente]. vou fazer o que eu gosto enquanto eu posso.

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  9. quando li esse post,pensei "sou eu". todas as historias, as descobertas, correr atras do diagnostico, ser um horror nos esportes! um dia me colocaram ate no gol! ve se pode! o time perdeu de 26 a 2!! kkkkk nem preciso dizer qual foi o time q perdeu ne! mas eh isso ai... aceitar eh o unico jeito! depois sobram "boas" historias pra contar!

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  10. Eu sabia que tinha retinose, mas não acreditava...em uma viagem, alugamos uma van, eu, 3 filhos, 3 amigas, e, era início de noite e eu no banco da frente da Van.O pessoal conversava lá atrás e eu me virava para responder, e um momento uma delas falou, Lú, sou eu que te chamei , por que está olhando para o outro lado? Eu simplesmente não via ninguém no carro. Fiquei bastante deprimida. dias depois, levei meu filho pequeno ao cinema e entrei em pânico, pq não enxergava nada e soltei a mão dele, desesperada com medo de perdê-lo. Achava esquisito eu ter tanta dificuldade em entrar no estacionamento do Carrefour aqui em Bh, pois, não enxergava nada!!!! Túnel, de dia, eu tremia, Deus ajudou demais por diversas vezes, pois atravessei túneis sem ver, somente me orientando pelas paredes do mesmo.Um dia triste também foi quando meu filho, no sítio, me chmaou para me mostrar, segundo ele (5 anos) várias estrelas e eu não via nenhuma...

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